O cenário corporativo global entrou em um estado de pressão máxima. O que antes era uma função de bastidores, voltada meramente para evitar sanções e preencher formulários, agora ocupa o centro da estratégia de negócios. Em 2026, estamos testemunhando o fim da era da reatividade: o Compliance deve mais ser o “departamento do não”, mas sim o motor de resiliência que separa os líderes de mercado dos retardatários operacionais.
Para o CFO, o Head de Compliance e o Diretor de Operações (COO), a conformidade tornou-se um diferencial competitivo. Ter um programa robusto remove atritos no processo de due diligence e acelera o time-to-market. Nestes tempos de incerteza e instabilidade, a confiança é fundamental; o Compliance funciona como o sistema de tração que permite à empresa acelerar em terrenos instáveis sem derrapar.
1. IA no Compliance: Da Euforia à Auditoria Crítica
Em 2026 a Inteligência Artificial deixa de ser uma ferramenta de produtividade para se tornar um objeto central de governança. O uso permeará todas as áreas da empresa, e o Compliance precisa estar preparado para guiar as demais em relação a governança, ética e boas práticas, além de não ficar para trás em eficiência.
A transição fundamental para o Head de Compliance é o deslocamento do foco: de responder consultas operacionais para garantir a integridade e a solidez das políticas. O rigor técnico agora é a norma, com organizações realizando auditorias formais de IA sob a ótica do EU AI Act, do NIST AI Risk Management Framework e da ISO/IEC 42001:2023.
2. A Morte Definitiva das Planilhas: Hiper-automação em Tempo Real
Gerenciar compliance manualmente em 2026 é uma negligência operacional. O volume regulatório atual torna o acompanhamento por planilhas insustentável. A solução que emerge é a hiper-automação, onde plataformas integradas de orquestração geram uma melhoria drástica na eficiência.
A tecnologia remove o erro humano e devolve ao profissional o tempo necessário para ser um parceiro estratégico. O relatório de conformidade deixa de ser um documento estático para se tornar um dashboard dinâmico que informa a tomada de decisão do C-Level em tempo real.
Comparativo: Gestão Artesanal vs. Orquestração de Dados
Recurso | Processo Manual | Infraestrutura VAAS |
Monitoramento Regulatório | Reativo e propenso a falhas | Horizon Scanning automatizado |
Dossiê de Onboarding | Coleta manual (horas/dias) | Consolidação em segundos |
Análise de Risco | Julgamento subjetivo/lento | Dados oficiais e score preciso |
Rastreabilidade | Histórico fragmentado | Trilha de auditoria imutável |
3. ISO 27001: O Selo de Maturidade Global Inquestionável, agora acompanhada pelas normas de Compliance e IA.
O mercado de certificações vive uma mudança de guarda. A preferência global pela ISO 27001 saltou para 81%, superando o SOC 2 em prioridade estratégica para expansão internacional. O diferencial reside na natureza da ISO como um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI) contínuo. Em processos de due diligence internacional, ela tornou-se o critério de desempate técnico. Ainda que seja uma norma de Segurança da Informação, o Compliance é peça essencial para apoiar a empresa na certificação e manutenção.
E como mencionado aqui no início, as normas de sistemas de gestão para inteligência artificial (ISO/IEC 42001:2023) e as revisões da família 37000, como a ISO 37001:2025 para combate à corrupção se tornam excelentes guias para o Compliance contribuir para a maturidade e governança de modo integrado.
4. Integridade da Cadeia de Suprimentos: O Elo Mais Fraco
A máxima de 2026 é impiedosa: sua empresa é tão forte quanto o seu fornecedor mais fraco. Regulamentações como DORA (Digital Operational Resilience Act) e CSDDD (Corporate Sustainability Due Diligence Directive) forçam as organizações a assumirem responsabilidade por todo o seu ecossistema. O uso do contrato agora funciona como uma “alavanca de poder”, permitindo a suspensão imediata de parcerias por falhas éticas ou de segurança na cadeia de valor.
No Brasil já vemos essa onda crescer nos últimos anos, com a Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) exigindo programas de compliance para empresas contratadas pelo poder público em situações de alto impacto e o Decreto nº 12.304/2024, em vigor desde 2025, que definiu parâmetros, avaliação e monitoramento dos programas de integridade no âmbito federal.
A agilidade em identificar riscos, monitoramento contínuo da cadeia de fornecedores e a confiabilidade dos dados serão fundamentais para que o Compliance atue com celeridade e agregue valor.
5. A "Moeda da Reputação" e o Custo da Falha
O custo da falha é astronômico. Uma violação de dados ou um escândalo por conexão com entes sem idoniedade em uma empresa com compliance falho gera um “prêmio por falha” pesado no balanço financeiro. No entanto, a perda de reputação é a maior preocupação dos executivos. Multas são custos de balanço, mas a perda da confiança do mercado é uma crise existencial.
Após um 2025 que balançou reputações ao redor do mundo com escândalos econômicos e políticos, o monitoramento de mídias negativas e alertas valiosos para que o Compliance atue proativamente, ao invés de focar na gestão de crises e resposta ao dano.
6. Workplace Civility: A Cultura como Indicador de Risco
O Compliance moderno entende que a civilidade é um indicador de saúde cultural. Comportamentos como bullying e desrespeito crônico corroem a segurança psicológica, o que silencia funcionários sobre fraudes e violações graves. Onde há desrespeito, há terreno fértil para falhas éticas.
No Brasil, teremos o esperado início da fiscalização das atualizações da NR-1, com foco em saúde mental no trabalho e gestão de riscos psicossociais. Considerando o aumento expressivo de processos trabalhistas com menção a assédio moral e sexual, bem como os afastamentos por saúde mental, é fundamental que o Compliance atue junto do RH nesta frente.
7. O Novo Perfil: Do Juridiquês ao Data Analytics
O profissional de compliance de 2026 abandonou o “juridiquês” puro em favor do data analytics. Existe um “oceano azul” para líderes técnicos que conseguem auditar algoritmos e traduzir dashboards de risco em insights estratégicos para o conselho. Além disso, considerando a atuação cada vez mais próxima das áreas, abandonar a postura sisuda e formal em favor de uma comunicação ágil é diferencial.
8. Fragmentação Regulatória e Horizon Scanning
Operar globalmente tornou-se um quebra-cabeça jurídico. A resposta estratégica é o Horizon Scanning — o monitoramento constante do que o regulador exigirá daqui a 18 meses. As fronteiras entre Compliance, Privacidade, Cibersegurança e ESG convergiram totalmente, exigindo uma visão holística e integrada.
O profissional de Compliance que se resumir a estudar apenas com ética, regulação e controles internos estará colocando sua carreira e a empresa em desvantagem competitiva.
9. O Papel Ativo do Conselho: Da Recepção à Governança
Os conselhos de administração não são mais receptores passivos. Casos jurídicos recentes consolidaram a obrigação fiduciária de identificar “red flags”. O Head de Compliance agora deve ter, mais do que nunca, acesso direto e sessões privadas com o board para discutir o que os dados revelam sobre a cultura e os riscos futuros.
10. Compliance publicamente anunciado como Motor de Resiliência
O sucesso em 2026 é impossível para quem depende de processos artesanais. A conformidade não é sobre restrição, mas sobre a liberdade de agir com segurança. Empresas resilientes não apenas evitam multas, elas conquistam market share ao demonstrar que são parceiras seguras e que possuem informações confiáveis e processos seguros para suas tomadas de decisão.
Mais do que isso, dar visibilidade às ações e encontrar novos modos de comunicação interna e externa será essencial. O Compliance deve deixar de produzir conteúdo árido e formal, não se restringindo a emitir pareceres internos e treinamentos obrigatórios.
O uso e domínio de ferramentas de AI para conversão dos conteúdos em vídeos e formatos mais palatáveis será um diferencial para os profissionais da área.
Conclusão
O ano de 2026 marca o fim do compliance manual. As empresas que liderarem essa transformação usarão sua maturidade para blindar sua reputação e acelerar o crescimento.
Sua estrutura de compliance hoje é o freio que tenta evitar o próximo escândalo reputacional ou o motor que acelera a confiança do seu mercado? O futuro não espera pelos indecisos.
Deseja automatizar sua esteira de compliance e eliminar gargalos operacionais?
Como a IA impacta o risco operacional em 2026?
O uso de IA é realidade presente e exige auditorias formais para evitar a “caixa preta” decisória. O foco do gestor migra da operação para a arquitetura de sistemas de gestão robustos e éticos, como aplicação do EU AI Act, do NIST AI Risk Management Framework e da ISO/IEC 42001:2023
Qual a diferença prática entre o compliance artesanal e a orquestração da VAAS?
Enquanto o processo artesanal depende de coletas manuais e planilhas, a VAAS centraliza todos os fornecedores de dados em um só lugar, permitindo aprovações em segundos com total segurança jurídica.
O que as regulamentações DORA e CSDDD, além da Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) exigem das empresas?
Entre outros pontos, elas exigem que as empresas assumam responsabilidade pela resiliência e ética de toda a sua cadeia de suprimentos, tratando fornecedores críticos com o mesmo rigor de segurança interna.